segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

cachoeira às avessas

Hoje sou uma confusão de sentimentos.

Amaldiçoando e bendizendo quem cruza o meu caminho.

O avesso do sentido.
Sangrando tudo o que senti o mês inteiro.

Lufadas de tesão, medo, raiva, ódio, compaixão, amor, certeza, dúvida e carinho escorrendo entre minhas pernas a muitos metros cúbicos por minuto.

Meu corpo gritando por dentro, e som de sua histeria exalando dos meus poros inquietos e curiosos.

Estômago, intestino, fígado, coração, todas as vísceras e órgãos vitais hoje são meros coadjuvantes do concerto orquestrado pelo útero, tocando adágios e árias ao som de trompas e ovários.

Hoje sou contrariedade.

E tudo ao mesmo tempo pressiona meu cérebro, comprime, e ele refoga, ferve, frita e tempera tudo com pressa, sem esmero, sem sorrisos ou gentilezas, e a receita que sai dali vem insípida, mínima, nada além do necessário pra sobreviver nesse dia.

Em dois dias esse turbilhão se acalma, eu escorro, gotejo e seco, e começo a recolher os cacos, guardar os grilos, recolocar os sentimentos nas prateleiras, pra sangrar tudo de novo no próximo mês.

Crédito da foto: um blog de mau gosto.

Repostado de 20/08/2009

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

evapora


Sol,

Bem vindo de volta!

Seque os corações e as casas daqueles que tanto sofreram com a chuva dos últimos dias.

Acho que ele sentiu que você tá chegando, e resolveu aparecer, pra deixar a cidade mais linda pra quando você chegar.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

sexo entre mulheres


Sexo entre mulheres é algo bem maior do que o senso comum sugere.
Quem nunca passou por esta situação: você está numa roda de amigos e amigas, sendo você a única lésbica, conversando sobre sexo, e então um deles pergunta “Mas sabe o que eu não consigo entender? O que duas mulheres fazem na cama?” E todos te olham como se essa fosse a dúvida mais normal do mundo…
Toda vez que me perguntam isso fico sem entender. Não acreditava ser possível as pessoas terem uma visão de sexo tão estreita assim. E isso não inclui somente os heterossexuais: vários gays já me fizeram esta pergunta.

Mas uma cena do The L Word me mostrou que esta é uma visão generalizada. Na cena, Tim (ex-marido de Jenny), ao confrontar Marina sobre o flagra que havia dado nas duas, pergunta se o que duas mulheres fazem na cama pode ser considerado sexo. Marina, sem perder a pose, responde: “Você viu, pode responder por mim.”
Percebi então que o que o senso comum considera como sexo é quase que simplesmente o tempo decorrido entre a penetração do pênis e o gozo. Tudo o que acontece antes e depois disso é considerado preliminar ou supérfluo. E tudo o que acontece sem um pênis não é considerado sexo.Intrigada, fui pesquisar no dicionário (Aurélio e Houaiss):
Sexo: sensualidade, lubricidade, volúpia, sexualidade. Fazer sexo: copular, fazer amor.Copular: unir, ligar, juntar.

Confirmei então minhas suspeitas: o que o senso comum considera como sexo é algo bem menor do que a própria definição do termo sugere. E percebi que nós, lésbicas, somos privilegiadas. Simplesmente porque quando nos relacionamos com outra mulher, já fugimos do senso comum, dos padrões, do que é pré-estabelecido. Temos que ser criativas, abertas, descobrir diversas formas de dar e obter prazer que vão muito além daquele feijão com arroz que a maioria acha que é sexo.

Aprendemos a usar como órgãos sexuais várias outras partes do corpo além da vagina. Aprendemos a usar maravilhosamente as mãos, a boca, os dedos, a língua, as pernas. Aprendemos que o corpo todo deve estar envolvido numa relação sexual, e que podemos sentir prazer com todas as partes dele. E também que existem centenas de acessórios que podemos comprar para provocar sensações diversas.
Mas podemos ir mais fundo nos significados de “fazer sexo”. Se analisarmos as definições acima, podemos considerar sexo todas as preliminares, desde o primeiro beijo. Uma vez que duas garotas estão juntas e existe uma ligação, uma conexão, uma troca, a partir deste momento podemos dizer que o sexo já está acontecendo…

Isso é o mais maravilhoso: perceber que o “fazer sexo” não começa na cama (ou na mesa, no elevador, no chão, dependendo da fantasia de cada uma), mas sim na hora em que o desejo surge. E isso a grande maioria de nós, lésbicas, já percebeu. Porque a natureza das nossas relações faz com que ampliemos nossa visão de sexo e aprendamos a sentir prazer de infinitas outras formas além da tradicional.
Não que todas as relações lésbicas sejam profundas… Mas em todas as relações lésbicas existe, sim, uma ampliação da visão do sexo e do prazer.

E isso, por si só, já faz toda diferença. E é por isso que amo mulheres.

Texto e foto retirados do blog LesBlogando

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

drama - 3º ato


"Eu queria ser trapezista, minha paixão era o trapézio.
Me atirava do alto na certeza que alguém segurava-me as mãos não me deixando cair.
Era lindo, mas eu morria de medo. Tinha medo de tudo quase: cinema, parque de diversão, de circo, ciganos, aquela gente encantada que chegava e seguia.
Era disso que eu tinha medo. Do que não ficava pra sempre.

De repente apareceu uma luz lá no alto e todo mundo ficou olhando.
A lona do circo tinha sumido e o que eu via era a estrela Dalva no céu aberto.
Quando eu cansei de ficar olhando pro alto e fui olhar pras pessoas, só aí eu vi que estava sozinha.
"


Texto de Antônio Bivar, extraído do disco Drama 3°Ato/1973, de Maria Bethânia.

Crédito da foto: stock.xchange images

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Beijos em protesto pelos Direitos Humanos


PNDH



Por @Guttto, @souminha e @ticamoreno

Um ‘beijaço’ (Kiss in) acontecerá dia 07 de fevereiro na Avenida Paulista, esquina com Rua Augusta, às 17 horas na cidade de São Paulo.

Trata-se de um ato público, organizado por tuiteiros que usam o ciberativismo como ferramenta de mudança social.

Dele, participam mulheres e homens; homo, hétero e bissexuais, travestis e transexuais. Pessoas preocupadas em defender medidas históricas contempladas no 3º Plano Nacional de Direitos Humanos, apresentado pela Secretária Nacional de Direitos Humanos do Governo Federal.

Dentre estes direitos estão: a união civil entre pessoas do mesmo sexo, a criminalização da homofobia, a legalização do aborto e a adoção homoparental. Estas propostas foram duramente atacadas, sobretudo por setores da imprensa e por lideranças religiosas católicas (CNBB).

Em defesa do PNDH3, os participantes do Beijaço querem, por meio de sua afetividade, vir a público expressar seu comprometimento e apoio a implementação destas políticas públicas, e ainda expressar seu repúdio ao ataque vazio e fanático do qual o plano está sendo vítima.

Visto que a laicidade do Estado é garantida em constituição, não há motivo justo que barre a aprovação desse projeto, a não ser o ranço reacionário que atravanca sua aprovação.

O 3º Plano Nacional de Direitos Humanos foi amplamente discutido na Conferência Nacional de Direitos Humanos em 2008. Ao ser divulgado, entretanto, em dezembro do ano passado, passou a ser criticado e distorcido por setores da sociedade brasileira que querem que sejam públicos os seus interesses privados. Entre estes setores está a direita partidária, a imprensa conservadora e setores reacionários religiosos.

O PNDH3 toca em questões fundamentais para a sociedade brasileira, e busca corrigir distorções graves relativas aos direitos do cidadão brasileiro. As ações propostas pelo Plano colocariam o Brasil lado a lado com países que há tempos respeitam o indivíduo e sua dignidade.

É por isso que, visando justiça, liberdade e igualdade ele recomenda: a descriminalização e a legalização do aborto, bem como sua realização na rede pública de saúde, o apoio a uma legislação que garanta igualdade jurídica para os cidadãos LGBT, como a lei que reconhece a união civil entre pessoas do mesmo sexo, recomenda que se assegure um marco jurídico na questão dos conflitos agrários e, por fim, recomenda a instituição de uma comissão para investigar os crimes de tortura perpetrados pelo exército durante a ditadura militar.

O plano também prevê o cumprimento da Constituição quanto ao caráter laico do Estado brasileiro e pede a retirada de ícones religiosos de instituições públicas, para preservar os valores da igualdade na diversidade, alteridade e a valorização da pluralidade.

Setores da sociedade brasileira que habitualmente escondem seu conservadorismo em uma retórica politicamente correta foram finalmente evidenciados por seu caráter retrógrado, anti-libertário e preconceituoso.

Por isso, convocamos a todos que, tão indignados como nós com a perseguição ao PNDH3, querem se manifestar de forma pacífica, bem humorada e afetuosa, a comparecer à esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta, espaço tão diverso da cidade de São Paulo, no dia 7 de fevereiro, domingo, às 17 horas, para promover um beijaço em favor da liberdade e do respeito a todas as formas de amor e a livre escolha.

A ideia é mostrar, com muita alegria, que as pessoas são diferentes umas das outras, nascem, vivem, se beijam, amam, se relacionam com quem bem entendem, e independente de um ou outro grupo que torce o nariz, sua vida vai continuar acontecendo no anonimato de suas casas.

Não adianta um padre, um jornalista ou um senador achar que vai impedir os gays de constituir família, as mulheres de dispor de suas vidas ou o mundo de girar.

Isso acontece, e o PNDH, as militâncias e lutas sociais servem para reconhecer essa existência e garantir que o Estado não negligencie nenhum cidadão ou lhe tire o direito à dignidade.

Organização:

@souminha | @Guttto | @mariana_parra | @RadomileCarol | @djalepeixoto | @ticamoreno | @umberto_neto | @alineando | @cissablond | @aarles | @silmarprado | @Tsavkko | @galloyan

Matérias sobre:

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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

oca

.porque ainda não encontrei nada que me faça.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

"E se eu te amo na quarta,
Não te amarei na quinta.
Isso pode ser verdade.
Porque você reclama?
Te amei na quarta sim, e daí?"

Edna St. Vincent Millay

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

é coisa sua

É coisa sua
isso de me deixar nua
me pôr de quatro
me colocar de costas
me fazer de brinquedo
e depois - rindo
ir embora.

Roubado da Ana Luiza

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

ovni

Está todo mundo vendo
Disco voador.
Mas Eu que é bom
Ninguém repara.

Ulisses Tavares

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

ironic

It's meeting the woman of my dreams
And then meeting
her beautiful wife
Isn't it ironic... don't you think?

É conhecer a mulher da minha vida
E conhecer sua linda esposa
Isso é irônico... Você não acha?

Da música ironic, de Alanis Morissette.