As cotas raciais são necessárias para pagar dívidas históricas e igualar o acesso.
É inegável que negros e indígenas frequentam menos o ensino superior que os brancos.
Da história vem o porquê: Escravidão indígena e negra. Genocídio desses povos.
"Abolição" da escravidão sem dar condições aos "libertos" de estruturar suas vidas.
E a cultura de que os escravos eram mercadorias, pessoas de 'espécie' inferior, coisas.
Isso sendo muito superficial.
Isso foi se desenvolvendo e hoje o resulta em uma classe média branca; quem acessa o ensino superior público é quem estudou em escola particular.
Os negros, em geral pobres, frequentam o ensino fundamental público sucateado, sua chance de acessar o ensino superior público é ínfima, e os poucos que conseguem pagar universidade particular, sofrem com o déficit de ensino ao longo de sua formação, além de, muitas vezes, receberem uma formação superior medíocre.
O ciclo que isso gera é facilmente previsível: as condições de vida que essas pessoas terão ao constituir família não passará da subsistência, viverão em casas e comunidades com poucos recursos, não terão lazer ou descanso, Provavelmente terão muitos filhos, que mal conseguirão sustentar e educar e que frequentarão a mesma escola e terão as mesmas referências.
E esses seguirão o destino dos pais.
Colocando tudo isso, não quero dizer que os negros são favelados e ignorantes.
Eu sou a última pessoa a dizer isso.
Minha família é negra, e tive boa formação. Frequentei boas escolas, tive bons exemplos em casa. Minha casa era simples, mas sempre limpa e cuidada. A mesa quase sempre foi farta, e minha formação cultural foi, dentro da possibilidade dos meus pais, rica e ampla.
Mas eu simplesmente coloco o cenário geral.
O que você vê quando vai em uma grande universidade são pessoas brancas.
Estudo ao lado da ESPM e da Belas Artes, e quando passo pelas calçadas na hora do intervalo, não vejo ninguém que não seja branco.
Ao mesmo tempo, quando pego ônibus lotado às seis da manhã, a grande maioria das pessoas é negra e nordestina.
A mídia tem grande papel ao reforçar esse estereótipo, colocando as pessoas bonitas como brancas do cabelo liso, com traços finos e europeus.
A empregrada é sempre negra, e ri da própria desgraça. Não reclama, não se meche, é resignada e burra.
O homem negro angolano do programa humorístico do sábado a noite é burro, escroto e mulherengo.
Os negros dos filmes nacionais são criminosos, são presos ou morrem no final.
Nesse cenário, como é possível aos negros alcançar o ensino público, tendo que concorrer com o privilégio de ser branco e todos os benefícios que isso traz aos outros candidatos?
Cotas raciais não apenas no ensino público, mas na política, nas empresas, garantem cidadania, dignidade, igualdade de oportunidade.
Cotas não são eternas, mas devem existir até as diferenças serem niveladas.
São o pagamento de uma dívida histórica, e o reconhecimento e gratidão à grande contribuição que os povos negros e indígenas deram à construção do país que somo hoje.
É uma forma de imprimir nos livros de história e nas nossas memórias a verdade, e não um engodo que nos contam.
"A associação de qualidades negativas à imagem da população negra alimenta o preconceito, até mesmo entre negros(as). Afinal, não é nada agradável ser sempre percebido(a) como sujo(a), pobre ou feio(a). Os livros escolares também não contribuem para uma educação que contemple a diversidade de alunos(as) que os utilizam. Neles, negros(as) são sempre escravos(as), passivos(as) e nunca sujeitos da história. A população negra só aparece em livros didáticos que tratam do Brasil Colônia. Fora desse período histórico, simplesmente não é retratada! Desaparece como que num passe de mágica. Negros e negras vão de escravos(as) a inexistentes."
1 adubaram:
Que linda!
Bom, se você disse, eu também não lembro! Que bom que gosta e que bom que comentou.
"sentimento é a coisa mais fina do mundo", já dizia Adélia Prado. Melhor ainda é colocá-lo para fora, de alguma forma.
Beijo, beijo ;*
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